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Patologias · 3 MIN DE LEITURA

Membrana epirretiniana

O QUE PRECISA DE SABER

  • A membrana epirretiniana é uma película fina de tecido que se forma sobre a mácula, a zona central da retina.
  • Pode não dar sintomas ou causar visão turva e linhas retas que parecem onduladas.
  • Muitas apenas se vigiam; quando a visão piora, a cirurgia pode melhorar a visão e a distorção.

A mácula é a parte central da retina, responsável pela visão de pormenor que usamos para ler, reconhecer rostos e conduzir. Quando se forma uma película sobre a mácula, esta pode contrair-se e enrugar a retina, como celofane amarrotado. Daí os nomes de membrana epirretiniana, «pucker» macular ou maculopatia em celofane.

Porque se forma?

Na maioria das pessoas está relacionada com o envelhecimento do vítreo, o gel que preenche o olho. Com a idade, o vítreo descola-se da retina e algumas células podem ficar na superfície da mácula e formar a membrana. É mais frequente depois dos 50 anos. Também pode surgir após descolamento ou rasgadura da retina, cirurgia ocular, inflamação, traumatismo ou doenças vasculares da retina, como a retinopatia diabética.

A MÁCULA EM CORTE

Como a membrana distorce a visão

A membrana contrai-se e enruga a retina, como celofane amarrotado.

Esquema em três partes: retina normal com a pequena depressão central da fóvea; retina espessada e enrugada por uma membrana que se contrai à superfície; e uma grelha de linhas em que as linhas centrais aparecem onduladas.

Retina normal

A mácula tem uma pequena depressão central, a fóvea, onde a visão é mais nítida.

Com membrana

A película à superfície puxa a retina, que fica espessa e com pregas.

O que se vê

As linhas retas parecem onduladas ou tortas, sobretudo ao centro.

Que sintomas provoca?

  • Muitas membranas são finas e não dão sintomas: são descobertas num exame de rotina.
  • Visão turva ou menos nítida, sobretudo ao ler letras pequenas.
  • Linhas retas, como molduras de portas ou azulejos, parecem onduladas ou tortas.
  • Os objetos podem parecer de tamanho diferente num olho e no outro e, por vezes, há visão dupla.
  • Habitualmente afeta um olho. Como o outro compensa, os sintomas podem só ser notados ao tapar o olho bom.

A evolução costuma ser lenta. Muitas membranas ficam estáveis durante anos e raramente desaparecem sozinhas.

Como se diagnostica?

A membrana vê-se no exame do fundo do olho. A tomografia de coerência ótica (OCT) é o exame principal: mostra em corte a membrana, o espessamento e as pregas da retina, e permite acompanhar a evolução e decidir o momento da cirurgia. A grelha de Amsler ajuda a vigiar a distorção em casa.

Como se trata?

Não existem colírios nem comprimidos que façam desaparecer a membrana. Se os sintomas forem ligeiros, a atitude habitual é vigiar, com consultas e OCT. Óculos novos podem melhorar a nitidez, mas não corrigem a distorção.

Quando a visão ou a distorção interferem com o dia a dia, propõe-se cirurgia: vitrectomia com remoção da membrana. O cirurgião retira o vítreo e, com pinças muito finas, levanta a membrana da superfície da mácula. A cirurgia é habitualmente feita com anestesia local.

O que esperar depois da cirurgia?

  • A melhoria é gradual e pode demorar vários meses. A distorção costuma diminuir, mas nem sempre desaparece totalmente.
  • O resultado depende do tempo de evolução e do estado da retina antes da cirurgia.
  • Nos olhos que ainda têm o cristalino natural, a catarata tende a desenvolver-se ou a agravar-se depois da vitrectomia. Pode ser operada mais tarde ou na mesma cirurgia.
  • Se for colocado gás no olho, pode ser pedido um posicionamento da cabeça nos primeiros dias e não deve viajar de avião até o gás desaparecer.

Se notar de repente muitas moscas volantes, flashes de luz ou uma sombra no campo de visão, procure observação urgente: podem indicar uma rasgadura ou um descolamento da retina.

Saiba mais:

Degenerescência macular relacionada com a idade

Miodesópsias (moscas volantes)

Fontes clínicas

Esta informação não substitui uma avaliação médica individual. Siga as orientações da equipa que o acompanha.

Responsabilidade clínica: Dr. Nuno Lopes · Oftalmologia

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