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Patologias · 3 MIN DE LEITURA

Queratocone

O QUE PRECISA DE SABER

  • No queratocone, a córnea afina e deforma-se progressivamente em forma de cone.
  • Começa habitualmente na adolescência ou no início da idade adulta e afeta os dois olhos, muitas vezes de forma desigual.
  • O crosslinking pode travar a progressão; óculos, lentes de contacto especiais e outras técnicas corrigem a visão.

A córnea é a janela transparente da frente do olho e é responsável por grande parte da focagem. No queratocone, a córnea torna-se mais fina e menos resistente e vai abaulando em forma de cone. A imagem fica distorcida e surge um astigmatismo irregular, que os óculos corrigem cada vez pior.

A CÓRNEA DE PERFIL

Porque a imagem fica distorcida

Uma córnea regular foca a luz num ponto; uma córnea em cone dispersa-a.

Dois perfis da córnea: à esquerda, uma córnea em cúpula regular que junta os raios de luz num único ponto; à direita, uma córnea mais fina e em forma de cone que desvia os raios para pontos diferentes.

Córnea normal

Curvatura regular: a luz converge num ponto e a imagem é nítida.

Queratocone

A córnea afina e projeta-se em cone: a luz dispersa-se e a imagem fica desfocada e distorcida.

FOTOGRAFIAS CLÍNICAS

Queratocone avançado: ao olhar para baixo, a córnea em cone deforma a margem da pálpebra inferior (sinal de Munson).

Queratocone avançado: ao olhar para baixo, a córnea em cone deforma a margem da pálpebra inferior (sinal de Munson).

Fotografia: William Charles Caccamise, Sr, MD · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons

Segmentos de anel intracorneano, nove dias após a cirurgia num olho com queratocone: os dois arcos transparentes ficam na espessura da córnea, à volta da pupila, e ajudam a regularizar a sua forma.

Segmentos de anel intracorneano, nove dias após a cirurgia num olho com queratocone: os dois arcos transparentes ficam na espessura da córnea, à volta da pupila, e ajudam a regularizar a sua forma.

Fotografia: Edouard Spooner · CC BY-SA 2.0 · Wikimedia Commons

Topografia de um queratocone (estádio II): à esquerda, o mapa de curvatura mostra a zona mais curva (a laranja e vermelho) abaixo do centro; à direita, o mapa de espessura mostra a córnea mais fina no mesmo local.

Topografia de um queratocone (estádio II): à esquerda, o mapa de curvatura mostra a zona mais curva (a laranja e vermelho) abaixo do centro; à direita, o mapa de espessura mostra a córnea mais fina no mesmo local.

Fotografia: Elise A. Slim et al. · CC BY 4.0 · Wikimedia Commons

Quem tem maior risco?

  • Começa geralmente entre a adolescência e os 30 anos e pode progredir até cerca dos 30 a 40 anos.
  • Esfregar os olhos com frequência e com força é um dos fatores de risco mais importantes.
  • É mais comum em pessoas com alergias oculares, asma ou dermatite atópica.
  • Pode haver casos na mesma família; os familiares diretos devem ser observados.

Que sintomas provoca?

  • Visão desfocada ou distorcida, ao longe e ao perto.
  • Mudanças frequentes da graduação dos óculos, sobretudo do astigmatismo.
  • Sensibilidade à luz, encandeamento e halos à noite.
  • Imagens duplicadas ou «fantasma» num só olho.

Raramente, em casos avançados, a córnea pode encher-se de líquido de forma súbita, com perda rápida de visão, dor e uma mancha branca na córnea. Deve ser observada com urgência.

Como se diagnostica?

Nas fases iniciais, o queratocone pode não ser visível no exame habitual. A topografia e a tomografia da córnea mapeiam a curvatura e a espessura em cada ponto, permitem o diagnóstico precoce e mostram se há progressão, comparando exames ao longo do tempo. Por isso, estes exames são também feitos antes de qualquer cirurgia refrativa a laser.

Como se trata?

O tratamento tem dois objetivos: travar a progressão e corrigir a visão.

  • Não esfregar os olhos: é a medida mais simples e uma das mais importantes. Se houver comichão, a alergia deve ser tratada.
  • Crosslinking da córnea: com riboflavina (vitamina B2) e luz ultravioleta, reforça as ligações entre as fibras da córnea. Está indicado quando há progressão e tem como objetivo travá-la, não corrigir a graduação.
  • Óculos: úteis nas fases iniciais.
  • Lentes de contacto: as lentes rígidas permeáveis aos gases, híbridas ou esclerais criam uma superfície regular à frente da córnea e são muitas vezes a melhor forma de ver bem.
  • Anéis intracorneanos: pequenos segmentos colocados na espessura da córnea para a regularizar, em casos selecionados.
  • Lentes intraoculares fáquicas: em alguns doentes com queratocone estável, para corrigir a miopia e o astigmatismo.
  • Transplante de córnea: reservado aos casos avançados, quando a visão não pode ser corrigida de outra forma. Hoje é necessário com muito menos frequência.

Quem tem queratocone não deve fazer LASIK, porque enfraquece ainda mais a córnea. O acompanhamento regular, com tomografia da córnea, é essencial, sobretudo nos mais jovens.

Saiba mais:

Erros refrativos: miopia, hipermetropia e astigmatismo

Cirurgia refrativa por laser: FemtoLASIK e PRK

Informação para portadores de lentes de contacto

Fontes clínicas

Esta informação não substitui uma avaliação médica individual. Siga as orientações da equipa que o acompanha.

Responsabilidade clínica: Dr. Nuno Lopes · Oftalmologia

Atualização da página:

Esta data refere-se à apresentação e organização da página.

Revisão clínica: Dr. Nuno Lopes ·

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